Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

setembro_amareloA morte é a única certeza que temos na vida. Acredita-se que a maioria já deve ter ouvido essa frase. Então, se é uma certeza, por que tantas pessoas tentam e muitas vezes conseguem abreviar suas vidas?

Este ano dois cantores famosos cometeram suicídio. Eram bem sucedidos, tinham família, fama, dinheiro, eram pessoas talentosas, produtivas, tinham planos futuros em relação as suas carreiras. Por que decidiram se matar? Com tantas pessoas ás suas voltas, ninguém percebeu que estavam em sofrimento? Haveria como perceber, teriam apresentado sinais de que as coisas não iam bem ou conseguiram esconder seus sentimentos de todos?
São perguntas que talvez com o tempo sejam respondidas, mas até então só podemos pensar em hipóteses.

Utilizamos o exemplo dessas pessoas pois todos que tem acesso a qualquer tipo de mídia viram as notícias de seus falecimentos, mas a grande maioria de suicídios não é noticiada, mas precisa-se falar sobre isso.

Há um crescente aumento de pessoas que tiram suas vidas, alguns até chamam de “epidemia de suicídios”. O que será que está acontecendo? O fato é que quem decide se matar está em grande sofrimento e não vê outra saída para seus problemas. Mas a verdade é que o único problema realmente insolúvel é a morte.

Hoje em dia dificilmente alguém nunca teve contato com uma pessoa que se mutilou ou se mutila, que tomou remédios demais para dormir. Muitos, inclusive profissionais da área da saúde, dizem que certos atos são um pedido de ajuda, mas pode acontecer de um desses pedidos de ajuda levarem a morte, e se uma pessoa escolhe fazer mal a si mesma para pedir ajuda isso já é um sinal de que algo vai muito mal e essa pessoa pode ser um suicida em potencial.
Ouvimos também muitos dizerem que o verdadeiro suicida não avisa o que vai fazer e quase sempre é bem sucedido. Será mesmo? Se a resposta for sim, então não há nada que possamos fazer por essas pessoas?

São perguntas ás quais não existe uma resposta totalmente satisfatória, e é uma das razões pelas quais percebe-se a necessidade de se falar sobre isso. Conhecemos alguém que já tentou tirar a própria vida ou já pensou nisso, chegando a fazer um planejamento? Provavelmente sim.
Quem atenta contra sua vida muitas vezes está trabalhando, tendo uma vida aparentemente satisfatória, estando inserido em um círculo social, tendo família. O suicídio é um ato louco e o único do qual não há retorno, não tem conserto, mas a pessoa pode aparentar estar muito bem, até ter sua vida invejada por quem olha de fora.

Mas não sabemos o que se passa dentro, no interior da pessoa, seu sofrimento. Vemos pessoas com histórias de vida terríveis, ficamos tristes e aflitos só de escutar, mas que conseguem dar a volta por cima, se fazer um exemplo de sobrevivência a outros que passam pelas mesmas situações, mas ao mesmo tempo vemos pessoas com vidas que, ao nosso olhar são normais e até muito boas, e de repente, do nada, essa pessoa se mata.

Será que essa pessoa pediu socorro e ninguém percebeu? Será que estava tão decidida a se matar que conseguiu esconder o que se passava de todos á sua volta? Não se sabe, acaba-se fazendo hipóteses depois do acontecido. Não é incomum ouvirmos amigos e familiares falarem que tal atitude da pessoa pode ter sido um sinal, um pedido de ajuda, e se culparem por não terem entendido.

Este ano vimos a triste moda do jogo Baleia Azul, que foi bastante difundido entre adolescentes. Haviam várias tarefas a serem realizadas, todas relativas a se ferir ou ferir a outros, com instruções de esconderem a qualquer custo seus atos. E a última tarefa era tirar a própria vida. Os adolescentes que entraram no jogo tinham esse conhecimento, que terminar o jogo, ser bem sucedido nele, significaria se matar. E muitos escolheram jogar assim mesmo.

Em algumas entrevistas com adolescentes que jogaram e sobreviveram, estes relataram que se sentiam pertencendo a algo e que não se sentiam amados por suas famílias e seus amigos. Será este o problema? Falta de amor? Podemos ouvir famílias afirmando que isto é loucura, que a pessoa em questão é ou era muito amada e querida por todos, mas o fato é que a pessoa se sente assim e para ela não ser querida por ninguém é sua verdade, sua realidade.
E como podemos fazer para convencer uma pessoa do contrário? Será que é possível? Não se sabe, mas o que se sabe é que não se pode desistir de tentar.

E se eu tiver alguém a minha volta que for um suicida em potencial, o que fazer, há sinais que posso perceber e quais são eles? Com todas as pessoas á sua volta sempre esteja aberto a diálogo e a escutar. Se houver alguma suspeita é muito importante contatar as pessoas mais próximas e indicar tratamento psicológico e psiquiátrico.

Pessoas podem se matar por vários motivos, perda de um ente querido, decepção amorosa, dívidas. Esses são motivos para se matar? Para nós talvez não, mas para a pessoa em questão pode ser, e é muito importante estarmos atentos para que, quando uma pessoa nos procure com qualquer tipo de problema não digamos que aquilo é bobagem, que existe gente com problemas bem piores e que não reclamam. Para aquela pessoa aquele é um problema que causa sofrimento atroz e que pode parecer insolúvel. Podemos não concordar e pensar que se estivéssemos na pele do outro resolveríamos isso na hora, mas o fato é que não estamos e temos que pelo menos ter empatia com o sofrimento do outro.

Então deixamos aqui o recado de que, em caso de qualquer suspeita de que um parente, amigo, conhecido esteja apresentando sintomas de depressão, falando de um jeito diferente, sem esperança, recomende tratamento, contate a família, converse com a pessoa. A ajuda pode não estar em você, mas há a grande possibilidade de indicar um tratamento para alguém e essa pessoa melhorar. Mas e você, já pensou alguma vez que seria mais fácil acabar com tudo? O que foi dito aqui vale para qualquer pessoa, ninguém está livre de passar por uma situação que leve a pensar que a única saída é acabar com a própria vida. Se algo assim acontecer procure pessoas em que você confia, construa uma rede de apoio, busque tratamento psicológico e psiquiátrico e lembre-se: enquanto houver vida, há esperança.

Laura Cohen – CRP 07/15388